domingo, 10 de junho de 2007

A Nova [?] Rotina De Hollywood

Na Cabaré #2, Cauê Marques fez um paralelo entre os quadrinhos e os filmes Homem-Aranha. A coluna me fez pensar na atual rotina cinematográfica de Hollywood em transformar clássicos dos quadrinhos e da TV em versões cinematográficas. Obviamente, isso não é coisa nova, mas foi nesse milênio que uma profusão enorme de material adaptado de quadrinhos e séries [animadas ou não] de TV ganharam versões na telona.
A princípio tudo foi surpreendentemente interessante. Quando nos deparamos com filmes como "Homem-Aranha" e X-Men, que apesar das diferenças [afinal, são duas mídias diferentes] mantinham a humanidade dos super-heróis e essências das tramas, era impossível não ficar empolgado e desejoso por mais. O primeiro As Panteras manteve o charme e humor da série, além de um filme recheado de referências culturais. Os absurdos números do box-office incentivaram os estúdios a produzirem cada vez mais adaptações, além de fechar contratos milionários com elencos e equipes para seqüências.
Aí talvez tenha se iniciado o problema. Quando as seqüências e adaptações viraram febre, uma série de filmes visualmente maravilhosos, mas sem conteúdo suficiente para encher uma empada, começaram a explodir pelas telas, como a acne da cara de seu público alvo. As Panteras Detonando, detonou apenas os sonhos masturbatórios de pré-adolescentes de doze anos [com exceção de Santoro... afinal eu não tinha 12 anos em 2003, *risos*]; Demolidor, Elektra e Quarteto Fantástico ganharam versões non-sense, às quais nem as cenas de ação salvavam a pobreza do roteiro. Ano passado o Super-Homem teve seu retorno às telas e eu, sinceramente, não consigo escolher o pior: a careca de Kevin Spacey ou a beleza irritande de Brandon Routh. Pelo menos houve a hilária e fresca atuação de Parker Posey. Mas provavelmente os melhores/piores exemplos são as adaptações de Frank Miller: Sin City e 300.
É sempre um problema falar da primeira. Um dos filmes mais mega-estimados da década, Sin City é de fato um filme revolucionário. Como uma perfeita adaptação de quadrinhos para a 7ª arte, a fita atingiu um nível estético de babar, o que acabou reinventando e elevando os padrões das tais adaptações. Depois dele, parece que se montou uma competição "muda" dentre as produções para saber quem faz os mais impressionantes efeitos de CGI. Mas, ninguém foi ainda capaz de me dizer do que Sin City exatamente fala e qual seu propósito como história [talvez, eu seja muito burro]; os diálogos flertam com o tarantinismo, mas nem tanto, e na minha opinião Robert Rodriguez é um diretor que tenta seguir os passos cult e extravagantes de seu amigo [Tarantino, né minia jents!], mas lhe falta charme. Além do mais, Rosario Dawson, Brittany Murphy e Jessica Alba são atuações ruins demais demais para um filme que se levou tão a sério!
Como eu sei separar e louvar estética acima da substância, considero Sin City um filme três estrelas. O que porém, não me faz considerar "300" nem próximo de um filme. Brinks! Eu gostei de 300 a partir do momento em que desisti de procurar sentido naquele carnaval de testosterona e bobagem, e apenas relaxei e dei risada com as idiotices. Tecnicamente o filme se salva: a fotografia é deslumbrante.
Mas até quando essa rotina vai durar? Até quando Hollywood vai entregar produções que são mais festivais de chroma-key do que filmes de verdade? Certo, a estética de um filme às vezes pode sobressair seu conteúdo. Moulin Rouge ainda é, para mim, o melhor filme do novo milênio. Mas a profusão de roteiros ruins enfeitados com efeitos megalomaníacos jogados aos multiplexes chega a ser ofensiva. As últimas partes das trilogias de X-Men e Spiderman são claramente as mais fracas das séries, justamente por confiar mais no olhos do que na capacidade cognitiva do espectador. E por mais que verdadeiros cinéfilos desprezem tais explorações insípidas da arte, as bilheterias reafirmam do que essa indústria realmente é movida. Partindo, então, os sonhos de nós idealistas.

terça-feira, 5 de junho de 2007

CABARÉ #2



Finalmente a Cabaré saiu de novo.